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A beleza de Lizzie Velasquez

A mulher de 25 anos possui uma condição genética rara e, considerada “a mais feia do mundo”, tem muito o que ensinar sobre autoestima.

Lizzie

Procurei outro título para este texto, mas o máximo que consegui pensar foi “O que podemos aprender com Lizzie Velasquez”. Se o termo “beleza” associado a essa imagem lhe pareceu chocante, conheça a história desta norte americana de 25 anos e, quem sabe, também consiga perceber o que vi de bonito nela.

Cega de um olho e nascida com uma síndrome desconhecida presente em apenas três pessoas no mundo, Lizzie possui menos de 1% de gordura no corpo, nunca pesou mais do que 30 kg e precisa se alimentar a cada 15 minutos para manter-se viva. Em seu nascimento, seus pais, além de vesti-la com roupas de boneca porque as de bebês eram muito grandes, ouviram dos médicos que a filha jamais falaria, andaria ou faria qualquer coisa sozinha.

A menina, porém, cresceu normalmente cercada de amor e sem saber de sua condição, até o dia em que foi à escola. Durante todo o período, não compreendeu porque as outras crianças saíam de perto dela e ficou transtornada quando, ao sorrir para uma coleguinha, viu uma reação de pavor e desprezo. Voltando para casa, Lizzie perguntou aos pais o que havia de errado com ela e só então soube de sua “diferença”.

Com o passar dos anos, depois de muito se questionar “o que tinha feito para ser acometida pela síndrome”, procurou se enturmar e participou de diversas atividades extracurriculares. Estava finalmente sentindo-se bem consigo mesma quando, ao navegar pela internet, com 11 anos, deparou-se no YouTube com algo que lhe parecia familiar: era uma filmagem sua, com o título “A mulher mais feia do mundo”.

Lizzie Velasquez criança

Com mais de 4 milhões de visualizações, o vídeo possuía inúmeros comentários de pessoas dizendo “Faça um favor para o mundo e se mate” e “Queimem essa coisa”. Como podemos imaginar, a garota ficou extremamente perturbada com isso e sentiu vontade de responder a cada um. No entanto, percebeu que aquilo não levaria a nada e ao invés da autopiedade – sentimento que nós, pessoas “saudáveis”, frequentemente gostamos de cultivar – optou pela autoestima e decidiu encarar sua condição como “uma bênção que a fez descobrir novos caminhos”, estabelecendo metas para a sua vida e transformando toda a negatividade recebida em forças para superar a si mesma e à maldade dos outros.

Hoje, Lizzie é graduada na universidade, acabou de publicar seu terceiro livro, mantém um vlog e dá palestras motivacionais bem humoradas que promovem a autoaceitação e alertam aos efeitos do bullying. Em meio a tantas pessoas que percebem a repressão da sociedade mas acabam aceitando estereótipos, opiniões negativas e padrões de beleza, sua mensagem é uma verdadeira lição e um “tapa na cara” para que nos lembremos disso a cada vez que formos ofendidos ou sentirmos pena de nós mesmos. "A síndrome tem suas vantagens", ela brinca. "Posso chegar a pessoas que estão comprando remédios diuréticos e dizer: Ah, sim, é ótimo, eu usei este e olha como emagreci!".

Em um de seus discursos (se você entende inglês, vale a pena assistir aqui), ela diz: “Querem saber? Eu tive uma vida muito difícil, mas está tudo bem. As coisas foram assustadoras, pesadas. [...] Mas tive um ótimo suporte familiar e meus pais sempre disseram que mesmo que tudo estivesse difícil, mesmo que eu tivesse a síndrome, minha vida havia sido posta em minhas mãos, exatamente como as suas. É você quem dirige o seu ‘carro’, que decide se vai para o caminho bom ou ruim. Você é quem decide o que lhe define. [...] Eu vou deixar as pessoas que me chamaram de monstro me definirem? Não, vou deixar que meus méritos e conquistas façam isso. E tentarei sempre ficar bem, porque esta é a melhor forma de reagir a todos que me machucaram. [...] Sejam quem são e sintam orgulho disso.”

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Publicado por Luane
Revisado em 17/01/2014

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